
1) oi rosemário, como você entrou nessa de hq's, zines e agora as oficinas ministradas em araguari
e o trabalho com a revista camiño di rato? pode nos dizer um pouco sobre como estão essas frentes?
Fala, Rodrigo! Então, desde que me conheço por gente, tô envolvido nesses lances de underground,
entre bandas, zines, HQs... O lance da HQ acaba sendo uma coisa legal de se fazer, por ser barata
de se produzir, envolve poucas pessoas e oferece grandes possibilidades de expressão. O meio sempre
foi permeado por artistas de vanguarda, apresentando um número expressivo de experimentalismos,
tendências e linguagens diferentes.A revista em quadrinhos Camiño di Rato é um trabalho que tenho em
parceria com o roteirista Matheus Moura. É um veículo pra publicação de nossos trabalhos e de convidados.
Nossa nova edição acaba de sair do forno e convido todos a conferi-la! Contamos com autores de várias
partes do Brasil, apresentando vertentes e visões variadas do cenário nacional das HQs! Sobre as Oficinas
de HQs em Araguari, estas nasceram da iniciativa do Beto Martins, conhecido quadrinhista local. Fiquei
bastante entusiasmado quando me convidou a tomar parte do projeto - e também um pouco assustado, pois
nunca havia ministrado aulas de coisa alguma! Passado esse "temor" inicial, as Oficinas tiveram muito
sucesso, já estamos no segundo ano do projeto, com uma revista publicada com trabalhos dos alunos e
caminhando pra segunda. As aulas são bastante informais, valorizando muito a criatividade e a
individualidade de cada aluno. Temos a preocupação de sempre atualizar a gibiteca do projeto, a fim de que
todos tenham acesso a trabalhos de qualidade, de várias partes do mundo, interando-se às várias linguagens,
estilos, vertentes e toda riqueza criativa que envolve esse meio.
2) você e o matheus foram para bh recentemente representar a arte sequencial de uberlandia e região,
certo? como foi o evento? quais artistas dentre os participantes se destacaram na opinião de vocês?
participaram de alguma oficina? o que de mais interessante viu no festival?
Sim, tivemos a oportunidade de participar do 6º Festival Internacional de Quadrinhos ocorrido por lá no
início deste mês. O evento foi muito proveitoso, uma verdadeira efervescência de autores, idéias e
iniciativas em torno das HQs. Em termos de organização, este ficou devendo pra edição anterior do evento.
A estrutura física não suportou as fortes chuvas ocorridas na ocasião, quase culminando no cancelamento
do Festival. Mas vencido tal obstáculo, pudemos conferir um variado número de palestras, bate-papos,
oficinas, exposições e lançamentos. Fizemos muitos contatos e amigos, conhecemos personalidades notáveis da HQ mundial.
Destaco o contato que tive com o aclamado autor mineiro Marcelo Lelis - surpreendentemente acessível
e despretensioso! Dentre as várias presenças internacionais,o alemão Reinhard Kleist e o francês Olivier
Talec marcaram boa presença. O australiano Ben Templesmith se mostrou muito bem-humorado, assim como o sulista
Renato Canini. Conheci o pessoal do 4º Mundo, Café Nanquim e Samba, entre outros. Muito talentosos e insistentes
batalhadores da HQ brasileira. Os gêmeos Bá e Moon também estiveram presentes, sempre muito simpáticos com os
fãs, ministrando Oficinas, participando de mesas e autografando no stand 10 Pãezinhos. Com eles estavam o
talentoso Gustavo Duarte, lançando seu trabalho "CÓ!", Rafael Grampá, e o conhecido Powertrio do sul, Mateus
Santolouco, Rafael Albuquerque e Eduardo Medeiros. O grego Vasilis Lolos e os americanos Becky Cloonan e Ivan
Brendon também marcaram presença no evento, entre muitos mais. Eu diria que o que de mais interessante presenciei
no Festival foi a grande diversidade de trabalhos, estilos, propostas e interesse mútuo pela mídia dos Quadrinhos,
o que demonstra grande fôlego e longa vida ainda pela frente!!
3) pode fazer um comentário a respeito do mercado e produção qualitativa de hq's no brasil?:
Eu diria que existe muita gente fazendo HQ hoje no Brasil. E muito barasileiro fazendo quadrinhos no exterior também.
Isso é muito bom, temos uma produção bem ativa, muita gente com potencial e talento atuando e mantendo a 9ª arte viva. Mas a maior
parte da HQ feita no Brasil ainda é independente, auto custeada ou vive à base de leis de incentivo do governo.
Encontra-se muito álbum de luxo caro em livrarias especializadas e tal. Mas nas bancas mesmo, o que manda é o
material estrangeiro. Quando a HQ brasileira tornou-se tão elitizada? E na banca, por que não faz a cabeça do
grande público? Será o grande culpado o próprio público, que prefere o quadrinho gringo: o super herói e o mangá? Se
houvesse procura por parte do público, as editoras lançariam material brasileiro. Ou seria o próprio material
brasileiro, que, em sua maioria, deixa a desejar, comparado aos bem preparados (e por que não dizer, bem-pagos)
autores estrangeiros? Apesar desse ciclo vicioso, seguimos produzindo, lançando, discutindo e fazendo eventos e notícia.
Quem sabe um dia a coisa entra nos eixos. Tudo depende de autor e público.
Obrigado pela força, Rodrigo, sucesso com o zine! E a você, leitor, obrigado pela atenção!